Padre Ticão: a história de um "homem ponte"

Padre Ticão, uma das mais combativas lideranças religiosas do estado de São Paulo dos últimos 40 anos, participando de forma propositiva dos grandes movimentos e organizações sociais que despontaram na década de 80, em confronto aberto com a ditadura militar, tornou-se um personagem central para a história das conquistas cidadãs da população vulnerável paulistana da zona leste. Suas pautas, realizações, embates, estratégias e conquistas ainda não foram plena e amplamente compreendidas e reconhecidas em âmbito municipal. Emprestando a alcunha atribuída ao crítico literário Sergio Milliet como um “homem-ponte”, por seu ecletismo e elasticidade intelectual, o mesmo pode ser aplicado ao Padre Ticão ao estabelecer conexões e diálogos com atores não necessariamente partidários das mesmas causas e matizes ideológicos. A pesquisa tem buscado compreender este personagem complexo através da perspectiva dos mais diferentes atores com os quais conviveu, dialogou, militou, confrontou, negociou.

Equipe: Daisy Perelmuter (coordenação), Ricardo Santhiago (supervisão).

Financiamento: Universidade Federal de São Paulo (Programa de pesquisa do CMUrb).

Experiências urbanas em São Miguel Paulista (1970-2000)

Este projeto visa coletar e examinar documentos – escritos, fotográficos e orais – pertinentes às experiências de pessoas pobres no Bairro de São Miguel Paulista, na cidade de São Paulo. Nos anos 70 e 80, entre o ápice e o ocaso da ditadura militar e em meio à crise econômica crônica, simultânea à última fase de industrialização da capital paulista, parcelas da população pobre do bairro se organizaram para reivindicar melhorias em suas vilas e acesso à direitos ainda fora de seu alcance, até a promulgação da Constituição de 1988. Saúde, Asfalto, Iluminação, Segurança Pública etc. estavam no centro das preocupações dessas pessoas. Por meio de entrevistas e coleta de documentação individual, buscaremos reconstituir tais experiências, destacando o entrelaçamento entre a luta política e a experiência cotidiana. A década de 1980, em especial, foi um momento de grande articulação social e política dessa população.

O acervo “Experiências urbanas em São Miguel Paulista – 1970-2000” é constituído de sete (7) entrevistas sobre a trajetória de vida de moradores e moradoras do bairro de São Miguel da cidade de São Paulo. As entrevistas foram realizadas no contexto de um projeto de pesquisa individual de mesmo nome, sob supervisão de Joana Barros no Centro de Memória Urbana (CMUrb) da UNIFESP. Os/as entrevistado(a)s oferecem um painel da vida na periferia de São Paulo nos anos 1970 e 2000. O acervo permite um olhar amplo sobre os dilemas, problemas e lutas sociais dos/das moradore(a)s do bairro no período. Além disso, questões mais prosaicas também estão presentes nas entrevistas como: criação de filhos e filhas, formação escolar dos indivíduos, dificuldades no mercado de trabalho etc. A amplitude dos temas torna as entrevistas um manancial bem vasto para pesquisadores interessados em temas como: vida urbana, periferias, lutas sociais, movimentos sociais etc.

Equipe:  Lucas Jannoni Soares (Coordenação), Joana da Silva Barros (Supervisão).

Financiamento: Universidade Federal de São Paulo (Programa de pesquisa do CMUrb).

Sotaque paulista: A vida e a música de Miriam Batucada (1947-1994)

O presente projeto é uma derivação da investigação "Arte e artistas na Zona Leste de São Paulo: História oral, memória e experiências urbanas (1950-1990)". Tem como propósito reunir e organizar documentação sobre a vida pessoal e profissional da cantora e compositora Miriam Batucada, nascida Miriam Ângela Lavecchia, iniciou sua trajetória artística no bairro da Mooca. Objetiva-se a produção de um livro biográfico e de um CD com as composições da artista e a disponibilização de seu acervo pessoal.

Equipe: Ricardo Santhiago (Coordenação), Juliana Rissardi da Costa (2020/2021) e Taiza Silvestre.

Financiamentos: Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo - Auxílio financeiro.

Educação pública na Zona Leste de São Paulo 

Este projeto debruça-se sobre a luta pela universidade pública na zona leste da cidade de São Paulo, que obteve importantes conquistas como a USP Leste e um campus da Unifesp. Em sua primeira etapa, ancorado no Ateliê de História Oral, o projeto propõe a realização de entrevistas de história oral com pessoas que participaram desta luta. A definição dos participantes da pesquisa tem ocorrido a partir da técnica da “bola de neve” ou “rede de entrevistados”, na qual participantes indicam outros possíveis participantes. O material em áudio está em fase de transcrição e será integrado ao acervo do CMUrb (descrição). 

Equipe: Ricardo Santhiago (coordenação) e Wendy Villalobos. 

Financiamentos: Fundação Tide Setubal - Bolsa.

Idosos, Covid-19 e contextos urbanos desiguais: documentação e análise de impactos sociais da pandemia por meio da história oral

Esta pesquisa tem como proposta investigar de maneira aprofundada os impactos sociais da pandemia do Covid-19 sobre a população idosa, focalizando por meio da história oral a compreensão de situações de vulnerabilidade, problemas enfrentados e agravados em diversos níveis, a partir de experiências de idosos na periferia da cidade de São Paulo. O projeto disponibilizará 25 entrevistas de história oral com o relato de experiências individuais que tenham adquirido relevância coletiva, a partir de temas como: as mudanças das relações laborais, de saúde, lazer e de afetos, entre outros desafios no cotidiano desses sujeitos. 

Equipe: Lívia Morais Garcia Lima (coordenadora), Ricardo Santhiago.

Financiamentos: Fundação de Apoio a Pesquisa de São Paulo (FAPESP) - Bolsa de pós-doutorado.

Políticas de segurança e violência de Estado: relatos de luta e imagens de resistências das mães da Chacina de Osasco

Esse projeto de pesquisa e extensão é uma parceria entre o LASInTec (Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento, EPPEN) e o CMUrb (Centro de Memória Urbana, campus Zona Leste) da Unifesp com a Associação 13 de Agosto, movimento de mães e familiares de pessoas vitimadas na chacina de Osasco e Barueri de 2015. Objetiva-se registrar e produzir memória dessas mães, cujos filhos foram executados por um grupo de extermínio composto por policiais, através de registros audiovisuais e entrevistas de história de vida. O acervo foi pensado para funcionar como ferramenta de pesquisa e de luta por memória, reparação e justiça.

Equipe: Joana Barros e Acácio Augusto (coordenação), Fabiola Fanti (pesqisadora, 2020-2022), Gabriella De Biaggi (pesquisadora bolsista CMUrb 2023-2024) e Gabrielle Rodrigues (bolsista PEUI 2023).

Financiamento: Universidade Federal de São Paulo - Bolsa.

Monumentos e memórias que inflam

Nos últimos anos os monumentos têm sido alvo de uma renovada atenção, sendo questionados, derrubados e reinterpretados criticamente. No contexto brasileiro, como não lembrar da enorme estátua do Borba Gato em chamas?  Monumentos e memórias que inflamam, (re)acendendo debates — e são justamente as faíscas deste fogo em São Paulo que interessam à presente pesquisa. Se monumentos podem ser flamejantes, este projeto busca acompanhar os debates (re)acendidos em São Paulo pelas chamas de Borba Gato.

Equipe: Thais Waldman (coordenação), Ricardo Santhiago (supervisão.

Financiamento: Universidade Federal de São Paulo - Bolsa (Programa de pesquisa do CMUrb).

Você vai saber: Memórias de artistas da Jovem Guarda

Esta pesquisa porduziu um acervo de oito entrevistas com artistas que fizeram de alguma forma parte do movimento musical que dominou a juventude na segunda metade da década de 1960. A Jovem Guarda como programa de televisão foi exibida nas tardes de domingo na TV Record. A estreia aconteceu em 22 de agosto de 1965 e nos primeiros meses de 1968  chegou ao fim. Se o programa teve vida relativamente curta, o mesmo não podemos dizer do movimento musical que reverbera até hoje. A cidade de São Paulo, berço do movimento, ainda hoje é palco de shows de artistas da Jovem Guarda que misturam público que assistia o programa na televisão com jovens na plateia. Além disso diversos foram os programas que nas décadas posteriores reverenciaram os artistas e o movimento. Se parte dos artistas passou a não aparecer mais nas mídias tradicionais, pela falta de espaço, eles continuam permeando a memória do público. E por isso a pesquisa segue dois caminhos o acadêmico, fazendo a manutenção da memória, trazendo os depoimentos de oito artistas que integraram o movimento musical e no segundo caminho, o compartilhamento dessas entrevistas com o público no portal de divulgação cientifica A Música de. História Publica da Música do Brasil.

Equipe: Daniel Saraiva (coordenação), Ricardo Santhiago (supervisão.

Financiamento: Universidade Federal de São Paulo - Bolsa (Programa de pesquisa do CMUrb).